Publicado em: 13 de dezembro de 2016

Prevenção é papel de empresa e funcionários

Fórum Estadual de Saúde e Segurança no Trabalho integra a campanha O Acidente Não Compensa. Objetivo é conscientizar a sociedade sobre os riscos no trabalho

O Fórum Estadual de Saúde e Segurança no Trabalho aconteceu na manhã de ontem no TRT

Prevenir acidentes de trabalho é tarefa tanto de gestores quanto de funcionários. Durante o I Fórum Estadual de Saúde e Segurança no Trabalho, realizado ontem na sede Tribunal Regional do Trabalho, representantes de diversas categorias puderam debater problemas e soluções para o tema. O evento, que foi uma realização do Grupo de Comunicação O POVO em parceria com o Tribunal Regional do Trabalho do Ceará, integrou a campanha O Acidente Não Compensa.

De acordo com o desembargador Francisco José Gomes da Silva, coordenador do Programa Trabalho Seguro no TRT/CE, o Brasil é o quinto país do mundo com o maior número de acidentes de trabalho. Para o desembargador, diante destes dados alarmantes, o evento se faz importante pela busca de soluções. “São casos preocupantes e que nós temos que entender para mudar essa realidade”, disse.

Além disso, Francisco José ressaltou que é preciso que colaboradores também tenham consciência das situações que enfrentam. “Eles precisam parar e reportar a empresa para que esta conserte e promova um ambiente de trabalho mais seguro”.

No Brasil, 96 pessoas morrem a cada dia vítimas de acidentes de trabalho.

Conforme explicou Cláudio Mascarenhas Brandão, ministro Tribunal Superior do Trabalho, se nesta soma fossem contabilizados acidentes no trabalha informal e no campo, os números seriam bem maiores. “Os acidentes de trabalho são previsíveis e mapeáveis. As empresas sabem quais as áreas de maior risco e devem implantar condutas adequadas para prevenir os problemas”.

As ações de prevenção, apesar de eficazes, muitas vezes só são implementadas após algum acidente. Segundo Rosendo Neto, presidente do Sindicato dos Técnicos em Segurança do Trabalho do Estado do Ceará, essas ações são amplas e envolvem ainda medidas administrativas. “O que realmente salva vidas são as atitudes de prevenção que todos devem ter. De que adianta um técnico de segurança interditar um local se o gestor libera por que não pode parar a produção?”, comentou.

É preciso ainda difundir a cultura de que todos em uma empresa são responsáveis pela segurança uns dos outros. Para o ministro, a empresa deve cumprir seu papel, mas o empregado também deve fiscalizar o ambiente em que trabalha. “A empresa deve fornecer os equipamentos de segurança, mas além disso deve orientar o seu funcionário, por que não cumprir as normas de segurança também gera demissão por justa causa”, disse Cláudio Mascarenhas.

O ministro ainda afirmou que a campanha corresponde a obrigação social de fomentar o debate e conscientizar a população. “Devemos envolver trabalhadores e empregador, no sentido de evitar acidentes. Para isso temos vários exemplos de experiências que mostram que é possível fazer alguma coisa”.

13,3mil acidentes

O Ceará é o terceiro estado com o maior número de ocorrências no Nordeste, com 13,3 mil acidentes somados em 2014, ficando atrás da Bahia e de Pernambuco.

No ranking Brasil, o Ceará ocupa a 12ª posição. Segundo o vice-presidente do Grupo de Comunicação O POVO, João Dummar Neto, o projeto cumpre o papel de levar a mensagem de que é possível evitar esses acidentes. “A sensibilização para essa problemática vem através da informação e o nosso papel enquanto comunicadores é levar essa mensagem de que os acidentes não acontecem por acaso”.

Outros fatores

Além dos acidentes que envolvem questões mais concretas, como mutilações, outros fatores que envolvem a saúde no trabalho também foram abordados, dentre eles os psicossociais. Márcia Bandini, presidente da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), apresentou iniciativas de outros países que ajudam aos trabalhadores e gestores a identificar os aspectos psicossociais presentes no trabalho e a partir disso trabalhar na prevenção desses fatores.

“Se a gente considerar o afastamento por incapacidade, os transtornos mentais já correspondem à segunda maior causa, então, se eu quero prevenir, tenho que atuar em cima disso”, comentou.

Janayna Lima, professora de Medicina e Segurança no trabalho e de Direito do Trabalho abordou os aspectos jurídicos desta problemática. Para a professora, a maior dificuldade é localizar e conscientizar acerca dos riscos no trabalho. “Nós já temos normas, mas elas devem ser ampliadas. O tema dos riscos psicossociais e ainda não temos uma norma regulamentadora disso”.

Fonte: http://www.opovo.com.br