Histórias divertidas vivenciadas por profissionais de SST – 2014 01

Barrados na metalúrgica

Histórias divertidas vivenciadas por profissionais de SST - 2014 01Considero difícil que alguém não tenha sido barrado em algum lugar. Às vezes, é pela truculência dos funcionários da segurança patrimonial, às vezes, pela falta de educação, outras porque eles tomam tudo ao pé da letra. Deve ser porque, nos cursos que fazem, falta bom senso. Pepeu e Baby Consuelo (grávida de 7 meses) foram barrados na Disneylândia, por estarem todos coloridos e chamarem mais atenção que os brinquedos do lugar. Às vezes, essas divergências são superadas, outras, não. Mas assim é a vida, cada um dando uma interpretação para as situações.

Chega de rodeios. Vamos à história que aconteceu numa empresa metalúrgica (grau de risco 4) na região Sudeste. Abriu uma vaga no SESMT, e o coordenador, o EST Paulo, contratou um TST, o Luís, recém-formado e sem experiência. Tinha tipo físico baixo, troncudo e forte. O Luís estava muito entusiasmado. Prestativo, tinha pressa para aprender.

Na metalúrgica, os TSTs eram divididos por áreas, o que facilitava seu trabalho e seu desenvolvimento. Todos tinham tarefas diárias, e o Luís ainda ficou com a incumbência, dada pelo Paulo, de não permitir a entrada de pessoas no galpão, sob sua responsabilidade, sem EPIs, pois a presença de agentes ambientais agressivos era elevada e já havia ocorrido incidente no local. Missão dada, missão cumprida. Luís não deixava entrar nem mosquito se não estivesse no padrão. Até que veio a orientação para o bom senso. Na hora do almoço, por exemplo, os funcionários poderiam circular, pois as máquinas estavam desligadas. Mesmo com as máquinas desligadas, o TST criava empecilho para os funcionários circularem pelo local em direção ao refeitório.

Certo dia, Luís chutou o balde. A empresa estava comemorando 65 anos. Diretores que raramente visitavam a fábrica, naquela data, vieram comemorar junto com todos empregados. Nisso, o diretor presidente, após uma reunião, resolveu visitar a fábrica com sua comitiva, para mostrar onde ia ficar uma nova máquina. De cara, a comitiva se deparou com Luís, que simplesmente barrou todo mundo. Foi um Deus nos acuda. Paulo foi chamado imediatamente pelo seu superior.

Chegando lá, o banzé estava instaurado. Paulo pediu mil desculpas e autorizou a entrada da comitiva. Após o fato, conversou com o TST, explicando que, na área de segurança, em alguns casos, é preciso ter bom senso. A fábrica estava com as máquinas paralisadas e não havia risco para os diretores, que poderiam entrar sem problemas. Algum tempo depois, Luís conseguiu colocação melhor e saiu da metalúrgica, mas fez história.

Ilustração: Beto Soares | Estúdio Boom

Guto Velhada com a colaboração do EST Eduardo Coelho Barbosa

Fonte: http://www.protecao.com.br