Publicado em: 2 de outubro de 2014

Falta de saúde no ambiente de trabalho reduz produtividade

Falta de saúde no ambiente de trabalho reduz produtividade
Evento reuniu mais de 180 empresários, representantes de sindicatos, autoridades e especialistas para discutir qualidade de vida (Foto: Marcos Campos)

Baixa produtividade é o principal custo relacionado à falta de saúde no ambiente corporativo, defendeu, na Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), o americano Sean Sullivan, co-fundador, presidente e CEO do Institute for Health and Productivity Management (IHPM) e da Workplace Wellness Alliance (WWA). O conferencista falou sobre Saúde e Qualidade de Vida como Elemento Estratégico de Competitividade no Cenário Global em evento promovido pelo SESI/SC, nesta quarta-feira (01). O encontro reuniu mais de 180 empresários, representantes de sindicatos de indústria, autoridades e especialistas para debater o tema.

“O custo em assistência médica não é a principal despesa relacionada à falta de saúde nas empresas. A perda de produtividade por falta de saúde é duas a três vezes maior do que o aumento de custos em assistência médica de trabalhadores”, enfatizou Sullivan. De acordo com o conferencista, o investimento na saúde do trabalhador da maneira certa pode ter um grande impacto sobre a produtividade e só começou a ser medido recentemente. “Muitas empresas ainda não entendem a situação, mas, provavelmente, é uma das coisas mais importantes que podem fazer para melhorar seu desempenho financeiro e competitivo”, disse.

Para Sullivan, esses dados sugerem que o impacto total da doença nas economias é também maior que os gastos nacionais em assistência médica. “Isso torna a saúde uma oportunidade de investimento, não somente para as empresas, mas também para os países, já que há um impacto na performance econômica e produtiva”, explicou Sullivan, acrescentando ainda que a saúde dos trabalhadores está se tornando a maior fonte de vantagem não utilizada em uma economia global em expansão.

Na abertura do encontro, o presidente da Federação, Glauco José Côrte, destacou a importância de se discutir o tema no meio industrial. “Estamos criando condições para que as indústrias, de fato, possam investir em qualidade de vida. Um trabalhador mais saudável é também mais produtivo e falta menos. Isto apresenta resultados positivos para o setor, o trabalhador e a economia do Estado”, concluiu, ressaltando que a FIESC possui um plano de adotar iniciativas para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e suas famílias.

O superintendente do SESI/SC, Fabrízio Pereira, ressaltou que discussões como estas promovidas na conferência internacional integram as pautas prioritárias da FIESC. “A promoção da saúde e bem-estar dos trabalhadores é uma das causas nas quais estamos engajados”, afirmou. “Vamos refletir sobre como podemos promover programas de qualidade de vida no ambiente de trabalho para torná-lo mais seguro e saudável e, consequentemente, termos impactos positivos na produtividade dos trabalhadores”, complementou.

Segundo Pereira, a melhoria da saúde do trabalhador é uma preocupação presente, mas o avanço é gradual. “As pautas da carga tributária, educação, infraestrutura e o custo da energia estão na agenda do dia. A agenda de saúde e bem-estar do trabalhador está se desenvolvendo e certamente vai ter o mesmo peso, até porque também tem colaborado para o custo excessivo que as empresas enfrentam hoje na busca por mais competitividade”, concluiu.

O diretor técnico do SESI/SC e presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), Eloir Simm, destacou que 84% das faltas ao trabalho estão relacionadas às doenças não-ocupacionais, ou seja, aquelas adquiridas com o passar do tempo. “Apenas 16% dos afastamentos são decorrentes de doenças ocupacionais. O ambiente de trabalho é bom, segundo os trabalhadores, mas as escolhas das pessoas é que muitas vezes interferem nesses indicadores”, esclareceu.

Entre as ações promovidas pelo SESI/SC, Simm enfatizou duas estratégias: estimular os trabalhadores a ter um estilo de vida mais saudável e, junto com as indústrias, criar ambientes mais seguros e saudáveis. “Esse é o grande foco de atuação da FIESC e do SESI para que a gente minimize o impacto negativo das doenças e dos custos com a saúde”, finalizou.

SC terá encontro mundial sobre saúde no trabalho

A discussão sobre a saúde do trabalhador e a sua relação com a competitividade das empresas ganha força também no Brasil, que sediará a terceira edição do encontro mundial sobre o tema, o Global Healthy Workplace Award and Summit, em 18 e 19 de maio de 2015. A escolha de Florianópolis como cidade-sede, proposta pelo SESI e pela FIESC, foi anunciada em maio, em Xangai, na China, durante a segunda edição do evento. O Brasil será o terceiro País a sediar o encontro, que deve contar com representantes de 50 países.

Fonte: http://www2.fiescnet.com.br