Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho

A Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Mato Grosso (FETIEMT) e o Ministério do Trabalho de Mato Grosso (MPT-MT) realizarão no próximo dia 28 de abril (terça-feira), na cidade de Rondonópolis, uma grande mobilização para conscientizar a sociedade sobre a incidência de acidentes e doenças do trabalho no Brasil e em Mato Grosso. A data é lembrada como o Dia Internacional de Segurança e Saúde no Trabalho.

A programação acontecerá na Praça Brasil, à partir das 7h30 e segue até as 11 h., com atividades informativas, culturais e de incentivo à saúde e qualidade de vida do trabalhador. A ação contará com a presença da Procuradora do Trabalho da 23ª região, de Rondonópolis, Mariana Casagranda, e de representantes de entidades sindicais da região.

Cerca de 2 milhões de pessoas morrem por ano por conta de doenças ocupacionais no mundo, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgados em 2013. O número de acidentes de trabalho fatais ao ano chega a 321 mil, o que significa que a cada 15 segundos um trabalhador morre por conta de uma doença relacionada ao trabalho. Os dados da OIT colocam o Brasil como 4º colocado no ranking mundial de acidentes fatais de trabalho, com quase 4 mil mortes anualmente.

Em Mato Grosso, são registradas 20 vítimas fatais para cada 100 mil trabalhadores, o pior desempenho no País. Entre os anos de 2009 e 2010, aconteceram 13.376 acidentes, com 104 mortes, o que equivale a 1,9% do total de acidentes de trabalho no país e 3,83% das mortes decorrentes destes acidentes.

Ronei de Lima destacou que a iniciativa é uma ação de interiorização das atuação da entidade. “Esta foi uma decisão política baseada na premissa de fortalecimento e união dos sindicatos filiados à federação. O objetivo é agrupar os sindicatos com base no município e região e demais entidades sindicais co-irmãs com uma visão classista”.

De acordo com ele, as estatísticas não mostram os verdadeiros números de acidentes e doenças do trabalho.

Estes números não condizem com a realidade, pois há subnotificação e falta aprofundamento dos exames médicos, o que, muitas vezes, impede que se constate a relação entre a doença e o trabalho. Além disso, não incluem trabalhadores autônomos, rurais e domésticos. Outro agravante é que as mortes e doenças causadas por intoxicações por agrotóxicos, que vitimam um grande número de empregados do agronegócio, não aparecem nas estatísticas, mesmo em um estado campeão em produção de soja, milho e algodão, entre outros.

Outro problema é a superficialidade dos exames periódicos e demissionais, o que faz com que muitos acidentados e doentes sejam considerados aptos ao trabalho precocemente.

Falta também melhorar a política estadual, considerada pelos sindicalistas como distante e tímida. “A segurança e a saúde no trabalho precisa ser vista como tema de saúde pública, como a dengue e a virose. Quando temos um problema relacionado à saúde do boi, a nação se mobiliza. A mesma estrutura deveria ser utilizada nos Cerest (Centros de Referência de Saúde e Segurança do Trabalhador) e nas Comissões Intersetoriais de Saúde do Trabalhador”, disse ele.

Fonte: http://www.cenariomt.com.br