Publicado em: 13 de janeiro de 2016

Campanha visa prevenir acidentes no trabalho

Para amenizar este cenário em termos de Bahia, a Justiça do Trabalho, através do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, inicia uma campanha este mês

banner-protefort-2A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que 2,34 milhões de pessoas morrem a cada ano no mundo em acidentes de trabalho e doenças, número superior à guerra do Vietnã que em 10 anos matou um milhão de vietnamitas. Dois milhões dessas mortes seriam causadas por doenças relacionadas ao trabalho. Segundo a OIT, 4% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, o equivalente a US$ 2,8 trilhões são perdidos por ano em custos diretos e indiretos devido a acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.

No Brasil, que ocupa o quarto lugar em acidentes de trabalho no mundo, dos cinco milhões de acidentes ocorridos entre 2007 e 2013, data da última atualização do anuário estatístico da Previdência Social, 45% acabaram em morte, em invalidez permanente ou afastamento temporário do emprego. Para amenizar este cenário em termos de Bahia, a Justiça do Trabalho, através do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, inicia uma campanha este mês com o mote “É melhor prevenir do que indenizar”, que visa chamar a atenção de empresários e trabalhadores para a importância da segurança no ambiente de trabalho.

“O foco maior do Programa de Prevenção de Acidentes de Trabalho é a conscientização dos empresários, com os empregadores, para que criem e mantenham ambientes de trabalho seguros e saudáveis, para evitarem o adoecimento e também os acidentes no trabalho”, enfatiza o desembargador Luiz Roberto Mattos, do TRT 5ª Região, que pretende ao longo dos próximos dois anos fazer visitas a várias empresas do território baiano, com o objetivo de proferir palestras que possam despertar a consciência de patrões e trabalhadores com relação aos cuidados necessários e indispensáveis para evitar estes acidentes de trabalho, que no período entre 2007 e 2013 fizeram com que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) desembolsasse R$ 58 bilhões com indenizações aos acidentados.

O INSS, que além da pensão por morte e invalidez paga o salário do segurado a partir do 16º dia de ausência no emprego, pagou R$ 367 milhões em benefícios por acidentes de trabalho só em 2013. Uma parte se refere a afastamentos temporários do emprego, mas ano após ano a conta vai crescendo porque uma parte desses benefícios se destina a pensões por morte ou invalidez permanente.
A iniciativa do TRT 5ª Região, que será posta em prática pelo desembargador Luiz Roberto Mattos, inclui seminários, campanhas publicitárias e até mesmo a criação de um selo para as empresas que se destacarem com maior eficiência na prevenção de acidentes. “As visitas que pretendemos fazer serão a convite. Não serão com o objetivo de fiscalizar e muito menos de punir, como o auditor do Ministério do Trabalho faz. O nosso foco é na prevenção e conscientização. As palestras serão motivacionais. Eu conversei com a presidente, doutora Maria Adna Aguiar, e ela adorou a idéia, porque realmente é motivar o empresário para que ele mantenha esse ambiente saudável e cuide da prevenção para que não haja acidentes”, afirmou.

O Programa Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho foi instituído em 2011 pelo Tribunal Superior do Trabalho e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho, em parceria com diversas instituições públicas e privadas.

O objetivo é contribuir para a diminuição do número de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais no Brasil. O fato do País ocupar o quarto lugar na estatística mundial dos acidentes de trabalho é para o desembargador Luiz Roberto Mattos “uma coisa feia, vergonhosa, que precisa mudar. Por isto é que a gente tem que trabalhar, todos regionais, com este apoio do TST que criou este programa, essa prevenção, para que a gente saia desta situação.

O empregador, nesta conscientização que pretendemos trabalhar, ele precisa ter um olhar mais humanista em relação ao trabalhador, que é um colaborador que está auxiliando ele a fazer a empresa crescer, ganhar dinheiro, obter lucro e não há nenhum problema nisso. Agora, dentro deste sistema todo de produzir pra ganhar dinheiro e obter lucro, há também que se cuidar da saúde, da segurança, da vida. O trabalhador é um ser humano, não é uma peça de reposição, que quebrou, desgastou e joga fora e coloca outra nova. O ser humano não pode ser tratado desta forma”.

O desembargador pontua que o profissional que adoece ou sofre um acidente, mas não morre, porém ferido, lesionado, durante um tempo fica afastado pela Previdência “gera um prejuízo pra a empresa, porque muitas vezes é um funcionário experiente, mais capacitado, mais hábil, que se afasta e a empresa vai ter que contratar um novo empregado, pra temporariamente suprir aquela vaga. Vai ter que treinar a pessoa não vai ter a mesma produtividade com a mesma qualidade, sem a mesma experiência, nem a mesma eficiência e isto gera prejuízo, e este prejuízo foi quantificado numa pesquisa feita por José Pastore, um famoso economista, que concluiu que o custo Brasil anual, decorrente de acidentes de trabalho, é de cerca de R$ 70 bilhões”.

Fonte: http://www.tribunadabahia.com.br/

 

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