Aposentadoria deve ser programada desde o primeiro emprego

Aposentadoria deve ser programada desde o primeiro emprego
46% não contarão em nada com o INSS na velhice

O caminho para atingir o sonho de desfrutar uma aposentadoria tranquila depende de uma variável importante: o planejamento. Especialistas revelam que grande parte das pessoas no País não traça uma estratégia financeira de longo prazo e propõem soluções para a introdução do hábito de poupar, pensando num futuro com qualidade de vida e paz financeira.

E uma pesquisa divulgada esta semana pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) reforça esta tese, já que 46% dos brasileiros afirmam que não contarão em nada com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para se manter na velhice.

De acordo com o estudo, dos entrevistados, 13% acreditam que para garantir o sustento na terceira idade vão ter de trabalhar. Outros 10% esperam contar exclusivamente com recursos próprios, como rendimento de poupança e aluguéis.

A expectativa de sustento dos que ainda não se aposentaram contrasta com a realidade atual. Entre os brasileiros aposentados que participaram da pesquisa, somente 15% afirmaram se sustentar apenas com outras fontes de rendimento que não fosse a aposentadoria do INSS.

O terapeuta financeiro e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, afirma que o brasileiro, infelizmente, não tem uma cultura de planejamento financeiro. “Basta ver que, dos atuais 29 milhões de brasileiros aposentados pelo INSS, somente 1% pode ser considerado independente financeiramente. Os demais estão em situação em que o dinheiro recebido pela aposentadoria é insuficiente, com necessidade de recorrer a ajuda para garantir o mínimo de qualidade de vida”, constata.

Segundo o economista da Técnica Finance Advisory, Erick Herbert Thau, justamente em função da ausência ou do mau planejamento é que “muitas pessoas já aposentadas acabam voltando ao mercado de trabalho, para complementar a renda e melhorar a condição de vida”.

O economista revela que a situação é ainda mais preocupante nas classes menos favorecidas. “São pessoas que naturalmente têm maior dificuldade de elaborar e cumprir um planejamento para a aposentadoria”.

Consumo

O imediatismo no consumo é outro vilão apontado pelos especialistas como obstáculo rumo à aposentadoria tranquila no País. “O comportamento do brasileiro é baseado no presente. Ele vive o momento, sem guardar qualquer tipo de preocupação a longo prazo. Isto faz com que ele se endivide desde cedo, o que é fatal no processo de planejamento”, destaca Francisco Cunha Lima Cintra, economista e sócio do portal ZenEconomics.

O consultor de negócios e sócio do SCAI Group, Daniel Schnaider, concorda: “O consumo moderno é um grande entrave porque valoriza o presente e o status social em detrimento de um futuro melhor. As pessoas têm vivido o hoje intensamente, esquecendo de pensar no amanhã”.

Soluções

A chave para alcançar a sonhada aposentadoria tranquila não demanda fórmulas mágicas, basta ter planejamento, garantem os especialistas. “Quanto mais cedo se começa o planejamento financeiro, mais cedo o indivíduo poderá se aposentar e, provavelmente, com mais recursos e de maneira mais confortável”, pontua Francisco Cintra.

A psicóloga e orientadora de finanças pessoais, Patrícia Rezende Chedid Simão, explica que existem alguns perfis de consumidores que inspiram cuidados: o impulsivo, que abre mão de fazer o investimento para realizar um desejo de consumo; o de temperamento ansioso, que faz uso do recurso poupado na primeira dificuldade financeira que aparece; e o de baixa renda, cuja formação de renda e patrimônio tornam-se inviáveis.

Independentemente do tipo de perfil, o economista Erick Thau indica que “o ideal é que se inicie o plano da aposentadoria desde o primeiro trabalho, lembrando que, quanto antes iniciá-lo, menores deverão ser os valores mensais destinados para essa finalidade, comprometendo menos a renda”.

Poupar

O presidente da Abefin sugere que, para iniciar uma poupança, devem ser guardados, inicialmente, 10% do ganho mensal. “É um valor pequeno, que não causará impactos no orçamento. Mas, atenção, essa quantia deve ser calculada sobre o total do valor ganho mensalmente, sem deixar para retirá-la apenas após o pagamento de todas as despesas”.

Além do hábito da poupança, também é importante que cada pessoa calcule o valor necessário para ter garantido um padrão de vida tranquilo, levando-se em consideração seus gastos mensais, além do fator idade.

“Com os avanços na saúde, as pessoas devem estimar que viverão pelo menos até 95 anos de idade e que, com o aumento da expectativa de vida, também crescem os custos com remédios e com planos de saúde, itens que devem fazer parte desse cálculo”, diz Daniel Schnaider.

Fonte: http://www.atribuna.com.br